Temer pode ter dificuldade em sustentar seu grito de “Fico”

//Temer pode ter dificuldade em sustentar seu grito de “Fico”
Michel Temer

A saída de Roberto Freire do ministério da Cultura, em obediência a decisão de seu partido de deixar o apoio ao governo, demonstra que o presidente Michel Temer cogitou da renúncia.

Freire esperou o pronunciamento e, diante da decisão de Temer pela permanência, ficou sem alternativa. Deverá segui-lo no gesto ou outro ministro do PPS, Raul Jungmann, da Defesa.

Jungmann precisa de ritual mais litúrgico e negociado por se tratar de uma transição de comando na gestão militar. Mas , segundo Freire, também obedecerá à orientação partidária.

Pelo que se sabe, a pressão pela permanência de Temer, que o teria feito rever a possibilidade de renúncia, partiu da parcela de sua base parlamentar já citada nas delações da Odebrecht.

Embora possa representar um abraço de afogados, o apelo talvez tenha sido o apoio que faltara ao presidente, até então, para que reagisse às denúncias.

Temer , em sua fala, destacou o aspecto clandestino da gravação e sustentou que sua fala não pode ser confundida com apoio para compra de silêncio de Eduardo Cunha, por ter se afeito estritamente a um suposto auxílio do empresario Joesley Batista à família “de um ex-deputado preso”.

Na verdade, Temer não detém o controle sobre sua permanência. Os dois ministros que deixam seu governo estão entrte os poucos fora de suspeitas e, portanto, um lastro moral na equipe de primeiro escalão.

Além disso, a falta de unidade que configura a saída de ambos (outros poderão vir), estimula o avanço de pedidos de impeachment.

Além disso, a gravação e sua leitura por parte do Ministério Público, podem mudar o rumo da votação do processo de cassação da chapa Dilma/Temer no Tribunal Superior Eleitoral – que de improvável pode representar daqui em diante, a saída menos traumática para a crise.

A administração desse processo, de forma a dar tempo de Temer concluir seu mandato, era admitida em nome da estabilidade institucional, já que o governo vinha se saindo bem no resgate da economia.

Agora, com a provável consolidação da perda de autoridade política do Presidente, isso pode ser invertido e passar à forma mais rápida de uma destituição branca, que evitaria um segundo processo de impeachment dentro de um mesmo mandato presidencial.


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