Sob investigação permanente

//Sob investigação permanente
Picciani

O aprofundamento da crise no Rio caminha, lado a lado, com as investigações e prisões que praticamente deixam o Estado acéfalo.

Não há acaso, mas relação de causa, efeito e consequência: roubo, falência e desbaratamento de uma quadrilha incrustada na estrutura do Estado, seguramente há meio século.

Sérgio Cabral, preso em Bangu, não é a origem, mas apenas uma extensão contínua do crime, que se julgava ininterrupta até o advento da Lava Jato.

O aspecto mais importante é que o Rio surge hoje como a antessala de escândalos que se propagarão pelo país afora com a estadualização da Lava Jato e, mesmo, sua municipalização.

A operação iniciada em Brasília, a partir da investigação de doleiros, alcançou o tumor central do crime organizado de Estado e inicia pelo Rio de Janeiro seu ciclo estadual, que descortina a metástase do organismo nacional.

A Lava Jato, como concebida, e no formato e limite jurisdicional em que opera, já produziu outras ações além do foco original que foi o petrolão.

O estágio alcançado autoriza a conclusão de que cumprirá sua meta inicial e se desdobrará em muitas outras, transformando a assepsia que promove em uma ação permanente no país, alcançando não só a estrutura política, mas também o Poder Judiciário, estatais e prefeituras.

Na verdade, pela via legal, o que se está assistindo é uma duríssima luta contra a perpetuação de uma cultura política cujo fim, adiado além do suportável, quebrou o país como um vírus resistente aos processos naturais de transformação.

A ninguém é dado desconhecer que a assembléia estadual do Rio funciona como um cartório que chancela ilegalidades por dia, sob o comando de Jorge Picciani (foto) -, agora levado coercitivamente para depor.

Mas a assembléia carioca não difere, senão no tempo, na experiência e na matreirice, de tantas outras no País, como a de Brasília, por exemplo, que tem agora seis deputados distritais réus e que minou a capacidade executiva da Capital, também falida como a maioria no País.

A assembléia do Rio está para as demais como o diabo para o aprendiz: é sabido de velho. Mas seus métodos estão por toda a parte.

E o que dizer do Tribunal de Contas do Estado, que não resistiu de pé a uma investigação que levou, de uma só tacada, seis ministros, reduzindo-o a uma ministra apenas?

Tribunais de contas são extensões dos poderes legislativos e, como tais, não hesitaram em agir como bancadas indicadas pelos seus pares legislativos, a sancionar-lhes os desvios, mediante vantagens pessoais de seus integrantes.

Nesse desenho, não é de espantar que no plano federal o Tribunal de Contas da União (TCU) também tenha integrantes sob investigação suspeitos de até venda de sentenças.

É um saneamento de grande dimensão, doloroso e necessário, mas que precisa ser conduzido com sobriedade para que possa conviver com gestões que, a partir de 2018, terão por missão levantar a economia do País, gerar empregos e devolver alguma esperança à população.


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1 Comentário

  • ótimo texto!!! esperemos ávidos os próximos desdobramentos em todos os outros Estados, já que isso infelizmente como bem asseverado, constitui-se regra e não exceção.

    glauberth holosbach 31.03.2017

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