Interesses cruzados

//Interesses cruzados

Enquanto combate, nas missas, a reforma da Previdência, a Igreja atua junto ao governo para negociar a questão do aborto, caso o tema vá para o Legislativo.

Serve-se da posição do Planalto junto ao Superior Tribunal Federal, pelo encaminhamento da questão do aborto ao Congresso, e estabelecer aí uma moeda de troca.

O governo acha que pode ganhar com isso ao expor o conflito entre a esquerda, que votaria em peso pelo aborto, e a Igreja, na questão religiosa e doutrinária, para fragilizar a aliança contra a reforma da Previdência.

É onde os interesses se cruzam, pois o mais caro à Igreja na reforma da Previdência é o fim da isenção do imposto previdenciário a entidades filantrópicas, que ameaça as universidades católicas.

O relator da reforma na Câmara, Arthur Maia (foto), reserva às isenções classificações nada honrosas, como “aberração”, “escárnio” e “pouca vergonha”.

A ministra Rosa Weber, relatora de ação que pede a descriminalização do aborto até o terceiro mês de gravidez, solicitou ao Executivo posição a respeito.

O Planalto, via Advocacia Geral da União, defende que a questão é prerrogativa do Congresso, o que levaria o tema para a pauta do Legislativo.

Hoje, a legislação permite o aborto nos casos de risco de morte da mãe, gravidez resultante de estupro e de fetos anencefálicos, o que o governo considera suficiente – e nisso atende à Igreja contra a ampliação da prática .

Se admitida a exclusividade do Congresso para o tema, a base aliada, mais conservadora, manteria o texto atual e poderia ter o fim da oposição da Igreja à reforma da Previdência mantendo a isenção a entidades filantrópicas.


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