Entre a transição e o transitório

//Entre a transição e o transitório
Odebrecht

Avassaladoras, as delações da Odebrecht situam a gestão Temer na tênue fronteira entre os governos de transição e transitório.

O primeiro, ao qual se propôs o Presidente da República, levaria o País a correções de rumo, através das reformas, que poderiam justificar-lhe o epíteto de “ponte para o futuro”.

O segundo, é o que cumpre tabela – no jargão do futebol o time que entra em campo sem chance de título apenas como coadjuvante do campeonato.

Na linguagem política, governo transitório “arrasta correntes”, como um fantasma ou prisioneiro, o que soar melhor ao espectador.

Ancorado no ministro da Fazenda – e não o contrário, como é o normal -, o governo Temer tem por missão manter as condições políticas para aprovação das reformas econômicas. E só.

É o que justifica o semi-parlamentarismo exercido pelo Presidente da República em parceria com um Congresso, em grande parte politicamente condenado pela Lava Jato.

E também, como extensão desse modelo, um ministério congressual derivado da necessidade de uma base parlamentar sólida para aprovação das reformas.

O modelo não tem a chancela da população- como mostram as pesquisas -, mas conta com a tolerância para sobreviver – como refletem as últimas tentativas frustradas de devolver multidões às ruas.

Mais que a lista de inquéritos abertos pelo Supremo Tribunal Federal, os vídeos das delações premiadas que atingiram , por ora, quase uma centena de políticos, ameaça esse equilíbrio sabiamente estabelecido pela sociedade.

Sua síntese mais amena é a de Marcelo Odebrecht: Não há um só eleito sem caixa dois. Há, sim, mas a sentença é quase correta.

Estão em risco as reformas, já impopulares no seu gene, cenário que consolidado reproduzirá o período de sarneyzação do país.

Não há uma saída apenas, mas algumas conjugadas. A primeira delas, admitir que não é razoável governar com nove ministros investigados (para fechar a conta só da Lava Jato) e um, da Justiça, cujo mérito é ficar invisível.

A segunda, cobrar celeridade do Supremo Tribunal Federal para que, tanto quanto possível, conclua as investigações para determinar que tem culpa no cartório e quem não tem.

Entre uma coisa e outra, os ministros investigados, em sua maioria parlamentares, poderiam voltar aos seus mandatos no Legislativo, tribuna mais adequada às suas defesas políticas.

Vale lembrar que ainda formarão novas listas as delações em curso de outras empreiteiras e personagens que sucumbiram à colaboração premiada.

De transição ou transitório, o governo precisa também ficar transitável, já que a pinguela está ficando congestionada.


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1 Comentário

  • Este “presidente” é impopular, corrupto, não tem ética e nem moral para levar o país a sair desta encrenca. Não tem biografia que dê a ele qualquer tipo de benefício, principalmente pelo fato de ter tramado a queda de sua parceira de chapa. Realmente a tolerância que a imprensa em geral e os meios empresariais tem demonstrado, se devem mais acompromissos assumidos quando da queda de Dilma e menos quanto a competência. Constituinte e eleções diretas já !

    Nicola 14.04.2017

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