Crise estimula volta do jogo

//Crise estimula volta do jogo

Com a aprovação em comissão especial do Senado, a polêmica regulamentação do jogo no Brasil volta à pauta legislativa, com a crise econômica de cabo eleitoral. É atraente o potencial de recursos de apostas – algo próximo de R$ 90 bilhões/ano.

Essa estimativa consta dos estudos preliminares oferecidos pelo lobby do jogo aos parlamentares da comissão que aprovou a legalização há dias.

O cálculo tem por base levantamento feitos em países da América do Norte, Ásia, Europa e América Latina, onde o jogo é livre. Neles, a capacidade de apostas é estimada entre 1,5% e 3% do PIB.

Como o PIB do Brasil em 2015 se aproximou dos R$ 6 trilhões, o somatório de todas as modalidades de jogos a serem regulamentadas respaldaria esse valor.

Também em uma estimativa, o jogo do bicho, no Brasil desde 1892, capta mais apostas que a soma das loterias oficiais administradas pela Caixa Econômica e loterias estaduais. Mesmo na clandestinidade.

Sustentam os defensores do jogo que a regulamentação movimentará setores da economia, como o de máquinas e equipamentos, gastronomia, software e hardware, indústria moveleira, entre outros, além dos empregos e da incrementação do turismo.

A estimativa de arrecadação do governo mais pessimista, é a de 29 bilhões nos próximos três anos. O governo também dispõe de dados de que as apostas clandestinas movimentem 18 bilhões/ano.

Outro dado confortante para o Executivo é que dos 173 países que integram as Nações Unidas, em 75% deles o jogo é legal.

Os Estados, todos endividados, e com desemprego recorde, devem sucumbir à atração bilionária, na avaliação de parlamentares envolvidos diretamente com a questão. O caso recente do Rio de Janeiro, por exemplo, é mencionado nas conversas informais.

O Rio, como os Estados litorâneos, tem a vocação turística como potencial econômico mal explorado, cenário em que a projeção de shoppings com cassinos e hotéis ao estilo Las Vegas, onde a clientela é formada, na sua maioria, por jogadores, se torna especialmente atraente como fator de recuperação econômica.

Será a batalha legislativa com mais poder de mobilização da sociedade, pela oposição moral movida pelas correntes religiosas, e a criminal, do Ministério Público, que vê na iniciativa uma abertura ainda maior para a lavagem de dinheiro.

O argumento econômico, no entanto, é forte. Segundo o relator da matéria no Senado, Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), a resistência ao jogo é arcaica, baseada em moralismo e dependência e não pode se impor aos números e à blindagem do sistema aprovado, onde o fiscal é o governo.

Levantamento apresentado por Coelho, com base em dados do World Lottery Association, registra que somente no mercado de loterias os jogos movimentaram US$ 400 bilhões em todo o mundo no ano de 2014, dos quais o Brasil teve participação de apenas 1% com as loterias administradas pela Caixa.

A regulamentação dos jogos está adiada desde 2004, quando o Senado rejeitou Medida Provisória do governo Lula que a estabelecia.

A MP da legalização foi editada em resposta ao escândalo Waldomiro Diniz, na época assessor do Palácio do Planalto, filmado pedindo propina a um empresário do ramo. A gravação foi feita em 2002, mas a fita só foi divulgada em 13 de fevereiro de 2004.


Compartilhar: