Contagem regressiva

//Contagem regressiva
Lava jato

A trégua de carnaval da Lava Jato não poupou sequer a quarta-feira de cinzas, indicando que o ano de 2017 ficou mais curto ainda para o mundo político.

Não houve pausa para a ressaca: antes mesmo de conhecido o resultado do desfile das escolas de samba, Marcelo Odebrecht prestava depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral sobre as doações da Odebrecht à chapa Dilma/Temer, eleita em 2014.

Ainda que o empreiteiro tenha preferido guardar suas revelações para preservar seu acordo de colaboração na Lava Jato, a celeridade passa a ser critério para o Ministério Público daqui em diante.

Hoje começa a contagem regressiva para que o Procurador Rodrigo Janot cumpra o prazo de acordo selado com as procuradorias de 11 países, pelo qual até 1º de junho, todos terão acesso aos conteúdos da investigação brasileira.

Até esse dia, portanto no curso de três meses, o Ministério Público brasileiro terá definido o que vai ser arquivado e virar denúncia ou inquérito e desmembrado para as justiças estaduais.

Para o Brasíl importa que nesse prazo não haverá mais sigilo sobre as delações, muito embora ele venha sendo quebrado parcialmente pelos vazamentos e produzindo efeitos políticos.

Mas, concluída essa etapa aprazada para 1º de junho, os efeitos serão também judiciais.

O texto do acordo tem por síntese “assumir o compromisso de brindar-se com a mais ampla, célere e eficaz cooperação jurídica internacional no caso Odebrecht e no caso Lava Jato, em geral”.

O acordo atesta a dimensão internacional conquistada pela Lava Jato e a inviabilidade de seu retrocesso, pois compartilha informações e já forma nos países signatários equipes de investigação próprias e autônomas para apurar suas ramificações no âmbito mundial.

As circunstâncias reabrem as reflexões sobre a viabilidade do governo, que volta a correr contra o tempo, premido pela necessidade de entregar resultados.

O caminho que o presidente Temer escolheu para garantir maioria sólida no Congresso o distancia da população.

Se lhe garante votos fundamentais no parlamento, torna cada vez mais remota a aliança necessária com a sociedade, até aqui paciente com movimentos de cunho fisiológico, só toleráveis ainda em nome da recuperação da economia.

Talvez não haja outro caminho, considerada a base de que dispõe, mas já se percebe um certo consenso contra a radicalização desse processo em que poderia haver menos concessões e mais imposição de comportamento aos parlamentares.

O governo também desperdiça tempo com uma comunicação que parece seguir o comportamento errático do PMDB.

Não há até aqui, por exemplo, uma conveniente estratégia de esclarecimento sobre as reformas trabalhista e da Previdência, que tem abordagens extremas – hermética e acessível a iniciados ou  que parecem determinadas a fazer com que se torça pela aprovação, quando a meta deve ser a de que as pessoas as entendam.

O tempo é, sem dúvida, o fator decisivo para o governo, que precisa melhorar com mais velocidade, mais acertos e sem direito a erros.


 


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