Ruy Fabiano

/Ruy Fabiano

A guerra civil brasileira

A criminalidade mata por ano no Brasil mais gente que a guerra civil da Síria. São cerca de 60 mil pessoas – uma média de sete homicídios por hora -, estatística que se repete há mais de uma década. E é precária: registra apenas as mortes ocorridas no local dos crimes, excluindo as posteriores e os casos que provocam invalidez ou sequelas psicológicas irreversíveis. Na Síria, de março de 2011 (início dos combates) a julho de 2015 – quatro anos -,

Trump e a crise existencial da mídia

Entre tantas controvérsias decorrentes da eleição de Donald Trump, há pelo menos um sólido consenso: a mídia – não somente a convencional, mas também a alternativa, das redes sociais – foi a grande derrotada. E por uma razão simples: sobrepôs a opinião – pior: a propaganda – aos fatos. Em jornalismo, trata-se de pecado mortal. A primeira lição que se aprende na carreira – ou pelo menos se aprendia – é que, antes de tudo, vem o fato, em sua crueza e

Sob o império da versão

Em política, vale a versão, não o fato. Essa sentença, que soa como blague, tem se mostrado real ao longo do tempo, sobretudo hoje. Mas remonta a algumas décadas da política brasileira. Quem a proferiu, originalmente, foi o falecido Gustavo Capanema, mineiro, ex-ministro da Educação de Getúlio Vargas e ex-senador do antigo PSD, partido que se tornou célebre por abrigar algumas das maiores raposas da história política brasileira. Entre elas, o mineiro José Maria Alckmin (sem parentesco com o atual governador de