João Bosco Rabello

/João Bosco Rabello
Rodrigo Janot

De algoz a alvo

Sempre se soube que havia duas Lava Jatos – a de Curitiba e a de Brasília. Esta última, comprometida em fazer o contraponto partidário ao avanço da primeira nas investigações concentradas no Petrolão, cuja construção se deu nos anos de gestão do PT. Enquanto o juiz Sérgio Moro caracterizou sua ação pela prevenção permanente contra os excessos dos procuradores, Rodrigo Janot, como admite agora, atuava para satisfazer seu público interno. Em comum, a meta de hegemonia abraçada pela classe dos procuradores. A

O ano do quebra-molas

O ano de 2016 produziu certamente o maior número de epitáfios antes mesmo de seu desaparecimento, como o pior de todos os tempos, atropelado por uma crise econômica sem precedentes. É certo que não faltam razões para tanto desgosto – afinal, a estatística de 12 milhões de desempregados e a falta de perspectiva de melhoras em curto prazo formam uma síntese desalentadora. Mas o saldo positivo, de caráter potencialmente transformador, é o fim da supremacia de uma cultura política que submete há

Aos trancos e barrancos

Diante do ritmo das colaborações premiadas, o governo Temer decidiu tocar a vida, mesmo apoiado em uma base de sustentação cuja reputação não resiste às revelações vazadas diariamente, ainda que produzam efeitos políticos e não jurídicos. Estes devem demorar muito tempo ainda, tal o volume de informações a ser processado, investigado e homologado pelo Supremo Tribunal Federal, o que dá chance ao governo de tentar aprovar as medidas de estabilização da economia. O governo tenta sair da letargia que o fez perder

Tempo de menos

Embora não repetissem o público daquelas de junho de 2013 e nem as que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff, as manifestações de ontem cumpriram seu objetivo de marcar posição contra boicotes ao combate à corrupção. Para alívio passageiro do governo, a população que foi às ruas concentrou seu foco na corrupção e condenou as posições recentes do Congresso, personalizando-as na figura do presidente do Senado, Renan Calheiros. Mas é bom não perder de vista que

Orçamento sequestrado

Os atos de vandalismo registrados ontem em Brasília foram contra a votação da chamada PEC do Teto, que estabelece limites para os gastos públicos, aprovada pela Câmara e, agora, em primeiro turno, pelo Senado. A fúria dos manifestantes é proporcional à perda que se avizinha para as organizações ditas sociais, pois o teto aprovado exclui essas e outras corporações do orçamento da República. É disso que se trata. É essa a guerra. Na medida em que o limite orçamentário impõe ao gestor escolhas

As zonas de conforto

O Senado deve aprovar hoje a emenda que estabelece o teto para os gastos públicos, em primeiro turno, por um placar que deve variar entre 62 e 65 votos, segundo os cálculos do líder do Governo, Romero Jucá (foto). Tem sido, de resto, essa a vantagem sólida exibida pelo presidente Michel Temer no Congresso desde que assumiu a chefia do governo provisório. Não deve se alterar, a despeito do anunciado veto presidencial à anistia em discussão na Câmara – a primeira contrariedade

Arritmia política

A coletiva de Michel Temer, em que os presidentes do Senado e da Câmara participaram como figurantes, é mais uma demonstração de que o governo vê a pauta da sociedade pelo retrovisor, trazido à realidade aos solavancos, como em um parto a fórceps. Menor dos males, fez o que era certo fazer, embora aos espectadores imagem e som cheguem aos seus destinos com delay. É aquela espécie de déja vu eletrônico, quando a mesma transmissão aparece em telas distintas em tempos

Saída de Calero ainda tem interrogações

Embora mais que suficiente, não é provável que a iniciativa de Marcelo Calero de sair do ministério da Cultura se circunscreva à desavença com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. O caráter irrevogável da decisão, refratário até mesmo ao apelo presidencial por uma chance de mediar o conflito, é forte indicativo de que a trombada com Geddel foi a gota d’água em copo cheio, ainda que o ex-ministro pudesse não transparecer outras contrariedades. Não é fora de propósito arriscar

Em carne viva

O governo pretende com a nova composição do chamado “Conselhão” iniciar um ciclo de comunicação direta com a população rompendo com o padrão publicitário que tem caracterizado as gestões nos últimos tempos. Se conseguirá, só o tempo – cada dia mais curto -, dirá. Mas a necessidade, mãe das virtudes, mobiliza boa parcela da nova composição do Conselho, principalmente economistas e empresários, para que o forum não seja meramente decorativo, como até aqui. Talvez seja esse o diferencial agora. Os empresários estão

A estadualização da Lava Jato

A prisão de Sérgio Cabral ameaça o PMDB mais por sinalizar o ingresso da Lava Jato na esfera estadual do que pela duvidosa versão de sua intimidade com o comando nacional da legenda. Cabral não é um peemedebista histórico. Sua fase de maior visibilidade – e que mais marcou sua gestão – foi a aliança com o PT, costurada diretamente com o ex-presidente Lula que lhe valeu a mais ampla cobertura federal para o governo do Rio. Foi a época também em