João Bosco Rabello*

/João Bosco Rabello*
Michel Temer

Temer pode ter dificuldade em sustentar seu grito de “Fico”

A saída de Roberto Freire do ministério da Cultura, em obediência a decisão de seu partido de deixar o apoio ao governo, demonstra que o presidente Michel Temer cogitou da renúncia. Freire esperou o pronunciamento e, diante da decisão de Temer pela permanência, ficou sem alternativa. Deverá segui-lo no gesto ou outro ministro do PPS, Raul Jungmann, da Defesa. Jungmann precisa de ritual mais litúrgico e negociado por se tratar de uma transição de comando na gestão militar. Mas , segundo Freire,

imposto sindical

Com os dias contados

Mais que o empenho do governo, é a determinação de ampla maioria congressual que dita a urgência na votação da reforma trabalhista: o alvo é o fim do imposto sindical obrigatório. As mobilizações hostis das corporações sindicais, algumas até mesmo físicas, contra parlamentares em vôos e aeroportos, foi o gene de um processo que selou a sentença de morte do imposto. Na última semana, a violência chegou ao ápice com a invasão do Congresso por sindicalistas policiais,

Cara de paisagem

Não obstante a regra que estabelecera pela qual ministros só serão demitidos quando réus, o presidente Michel Temer dá sinais de que gostaria que os investigados pelo STF pedissem para sair. Ao ser fixada, a regra além de dar tempo ao governo, cumpria o saudável zelo pela premissa constitucional de que todos são inocentes até prova em contrário. E delações não são provas, tanto que os inquéritos abertos têm exatamente o objetivo de conferir a veracidade dos

Odebrecht

Entre a transição e o transitório

Avassaladoras, as delações da Odebrecht situam a gestão Temer na tênue fronteira entre os governos de transição e transitório. O primeiro, ao qual se propôs o Presidente da República, levaria o País a correções de rumo, através das reformas, que poderiam justificar-lhe o epíteto de “ponte para o futuro”. O segundo, é o que cumpre tabela – no jargão do futebol o time que entra em campo sem chance de título apenas como coadjuvante do campeonato. Na linguagem

Interesses cruzados

Enquanto combate, nas missas, a reforma da Previdência, a Igreja atua junto ao governo para negociar a questão do aborto, caso o tema vá para o Legislativo. Serve-se da posição do Planalto junto ao Superior Tribunal Federal, pelo encaminhamento da questão do aborto ao Congresso, e estabelecer aí uma moeda de troca. O governo acha que pode ganhar com isso ao expor o conflito entre a esquerda, que votaria em peso pelo aborto, e a Igreja, na

reeleição

O risco do vácuo

O ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), constatou que sua reeleição e a de seu filho, governador de Alagoas, estão ameaçadas. Não atribui a causa ao rosário de processos contra ele em trâmite na instância superior da Justiça, mas ao governo do presidente Michel Temer, que não lhe abriu o espaço de poder que imaginara. Concluiu também que a rejeição à reforma da Previdência pode ser uma forma de atenuar o desgaste produzido pelas delações no seu

Previdência

Sinais contrários

A impopularidade que já não incomoda o presidente Michel Temer, pela sua irreversibilidade, é a mesma rejeitada pelos parlamentares que têm encontro marcado com o eleitor em 2018. Por isso, a reforma da Previdência subiu no telhado, interrompendo o ciclo exuberante de vitórias do governo no Congresso e semeando dúvidas no mercado quanto à fidelidade da base aliada. De fato, ela não é a mesma quando chega a vez da Previdência na pauta das reformas, como

fakes

A pomba da mentira

Duas paixões nacionais foram atingidas recentemente por versões irreais com potencial para danos irreparáveis a marcas de consumo consolidadas: a carne e a cerveja. A primeira por precipitação da Polícia Federal que confundiu papelão de embalagens com ingrediente processado no alimento. Foi um papelão! O consumidor de cerveja foi subitamente assaltado por uma notícia falsa de que sua maior produtora – a Ambev – a misturava a pombos triturados. Foi uma mentira! De comum entre ambas, o dano

Picciani

Sob investigação permanente

O aprofundamento da crise no Rio caminha, lado a lado, com as investigações e prisões que praticamente deixam o Estado acéfalo. Não há acaso, mas relação de causa, efeito e consequência: roubo, falência e desbaratamento de uma quadrilha incrustada na estrutura do Estado, seguramente há meio século. Sérgio Cabral, preso em Bangu, não é a origem, mas apenas uma extensão contínua do crime, que se julgava ininterrupta até o advento da Lava Jato. O aspecto mais importante é

Quando menos é mais

O governo revogará as desonerações das folhas de empresas, dadas à farta na gestão Dilma Rousseff. Com a medida estima devolver à arrecadação algo em torno de R$ 8 bilhões, que se somarão a outras ações para fazer frente ao déficit de R$ 58 bilhões. com a medida. Diante da alternativa de aumentar impostos, soa como música. O equívoco de Dilma ficou claro: ao contrário do idealizado, a bondade desonerou as empresas, onerou a economia e produziu desemprego. Compartilhar: